Chama-se Cruzada todos os movimentos militares de inspiração cristã; que partiram da Europa Ocidental em direção à Terra Santa (nome pelo qual os cristãos denominavam a Palestina) e à cidade de Jerusalém com o intuito de conquistá-las, ocupá-las e mantê-las sob domínio cristão. Estes movimentos estenderam-se entre os Séculos XI e XIII (época em que a Palestina estava sob controle dos muçulmanos). No Oriente Médio, as Cruzadas foram chamadas de "Invasões Francas"; já que os povos locais viam estes movimentos armados como invasões e porque a maioria dos Cruzados vinham dos territórios do antigo Império Carolíngio (e se autodenominavam Francos).
Após a morte do Profeta Maomé (no ano de 632); os exércitos árabes rebelaram-se contra seus antigos dominadores (especialmente os Bizantinos e os Persas). Foram quase trinta anos de guerra, até que os últimos focos de resistência fossem derrotados. Nascia assim um "império" que abrangia uma parte da Síria, da Palestina, do Egito e do norte da África; que também se estendeu sobre a Índia, a Península Ibérica, o sul da França e da Itália (entre outras ilhas mediterrâneas).
Tendo se tornado uma civilização tolerante e brilhante sob o ponto de vista intelectual, arquitetônico e artístico; esse "império" sofreu de gigantismo (e viu enfraquecer-se militar e politicamente). Aos poucos, as zonas mais longínquas tornaram-se independentes ou então foram recuperadas pelos seus inimigos (Bizantinos, Francos, Reinos Neo-Godos e outros).
No Século X, essa desagregação acentuou-se (em parte devido à influência de grupos mercenários convertidos ao islã; que tentaram criar reinos separados). Os Turcos Seljúcidas procuraram impedir esse processo e conseguiram unificar uma parte do território. Acentuaram a guerra contra os cristãos, esmagaram as forças bizantinas em 1.071 (conquistando, assim, o leste e o centro da Anatólia); e a cidade de Jerusalém (em 1.078).
Depois de um período de expansão nos Séculos X e XI, o Império Bizantino viu-se em sérias dificuldades: revoltas de nômades ao norte da fronteira e perda dos territórios na Península Itálica (conquistados pelos Normandos). Internamente, a expansão dos grandes domínios (em detrimento do pequeno campesinato) resultou na diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao Estado. Como solução, o Imperador Aleixo I Comneno decidiu pedir auxílio militar ao Ocidente para fazer frente à ameaça Seljúcida.
O domínio dos Turcos Seljúcidas sobre a Palestina foi percebido pelos cristãos do Ocidente como uma ameaça e uma forma de repressão sobre os peregrinos e os cristãos do Oriente. Assim, o Papa Urbano II convocou os nobres franceses a libertar a Terra Santa (em 1.095, durante o Concílio de Clermont), recolocando a cidade de Jerusalém sob a soberania cristã (apresentando a essa expedição militar como uma forma de penitência). A multidão presente aceitou entusiasticamente o desafio e logo partiu em direção ao Oriente Médio, sobrepondo uma cruz vermelha sobre suas roupas (daí terem recebido o nome de "Cruzados").
Ao pregar e prometer a salvação a todos aqueles que morressem em combate contra os muçulmanos; o Papa Urbano II criou um exército poderoso. Seu discurso inflamado comoveu a multidão com os infortúnios dos Cristãos do Oriente; e Vossa Santidade sublinhou que até os criminosos poderiam lutar contra os verdadeiros inimigos da Fé (e, assim, obter a redenção por seus pecados); colocando-se ao serviço de uma boa causa. O apelo foi feito a todos, sem distinção entre ricos e pobres.
Por volta de 1.097, um exército de mais de 30 mil homens (dentre eles muitos peregrinos) cruzou a Ásia Menor, partindo de Constantinopla. Os Cruzados fizeram um acordo com o Imperador Bizantino (devolveriam os territórios conquistados pelos turcos; em troca de alimentos e recursos). Só que os Bizantinos esperavam um exército rígido, disciplinado e obediente aos seus comandos (e não aquelas turbas incontroláveis, pouco disposta a entregar os tesouros conquistados em combate). Logo, as promessas e os acordos foram desrespeitados, à medida que a marcha militar prosseguia...
Embora a cavalaria pesada e a infantaria franca não tivessem experiência em lutar contra a cavalaria leve e os arqueiros turcos (e vice-versa); a resistência e a força dos europeus se sobressaiu - obtendo uma série de vitórias (a maioria muito difíceis).
Em Junho de 1.097, os Cruzados cercaram e tomaram a Cidade-Fortaleza de Niceia (devolvendo-a aos Bizantinos). Em Julho, foram atacados pelos Turcos em Dorileia; mas conseguiram vencê-los e, após penosa marcha, chegaram aos arredores de Antioquia em Outubro. Foi um longo cerco às suas muralhas; até que a cidade fora tomada no início de Junho de 1.098.
Godfrey de Bouillon (após outro longo cerco) conquistou Jerusalém em 1.099.
Houve um terrível massacre dos árabes em todas as conquistas. Saques, estupros e mortes eram comuns, feitos em grande escala (independentemente da idade, fé ou sexo das vítimas). Por vezes os próprios cristãos se horrorizavam com a carnificina causada por eles...
Após a vitória, era preciso organizar as conquistas. Surgiram quatro Estados Cruzados: Condado de Edessa, Principado de Antioquia, Condado de Trípoli e o Reino de Jerusalém.
O sucesso da Primeira Cruzada, mesmo com as indisciplinadas tropas; foi até certo ponto uma surpresa - e só ocorreu porque a campanha coincidiu com um momento de desordem naquela "periferia" do mundo islâmico. Mas rapidamente os muçulmanos iriam reagir.
Os Governantes Cruzados encontravam-se em grande desvantagem numérica em relação às populações muçulmanas que eles tentavam controlar; e sua cultura e religião eram "estranhas demais" para cativar os residentes da região. Por isso, nas décadas seguintes, os dois lados mantiveram um clássico conflito de guerrilha: os cavaleiros francos eram muito fortes (mas lentos); enquanto os árabes não aguentavam um ataque de cavalaria pesada (mas podiam cavalgar em círculos em volta dela, na esperança de incapacitar as unidades dos francos e fazer emboscadas no deserto).
Muitos dos combatentes retiraram-se após a conquista de Jerusalém (incluindo seus comandantes); mas um núcleo ficou (estima-se que algumas centenas de cavaleiros e milhares de homens); e com a euforia da vitória, mais voluntários seguiram para o Oriente. Os contingentes eram de diversas nacionalidades (e continuavam pouco organizados). Suas motivações eram as mais variadas: se alguns pretendiam novas terras ou redimir-se de seus pecados; haviam também aqueles que "apenas" pretendiam lutar, cobrir-se de glória, bençãos espirituais e voltar para sua terra natal.
Em 1.118, foi fundada por Hugo de Payens e mais Oito Cavaleiros Cruzados (com o apoio do Rei Baldwin II de Jerusalém) a chamada Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão (em latim: Ordo Pauperum Commilitonum Christi Templique Salominici); ou simplesmente Ordem dos Cavaleiros Templários; com a finalidade inicial de proteger os peregrinos que se dirigiam à Jerusalém (vítimas de ladrões e de muçulmanos).
Sua sede fora estabelecida no Monte do Templo (onde havia o Templo do Rei Salomão e, posteriormente, fora construída a Mesquita de Al-Aqsa); e seus membros fizeram Voto de Pobreza e de Castidade (para se tornarem monges). Usavam mantos brancos, com a característica cruz vermelha sobre o peito (lembrando sua origem cruzada); e juravam sua fé em Cristo.
A regra dessa Ordem Religiosa de Monges Guerreiros foi escrita por São Bernardo. A sua divisa foi extraída do livro dos Salmos (Slm. 115:1): "Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo ad gloriam" (traduzida como: "não a nós, Senhor, não a nós, mas pela glória de teu nome").
Graças ao enorme fervor religioso e à sua poderosa força militar; rapidamente a organização cresceu, tanto em número de membros quanto em poder (tornando-se uma das favoritas da caridade em toda a cristandade); gerindo uma vasta infraestrutura econômica, inovando em técnicas financeiras que constituíam o embrião do sistema capitalista; além de erguerem fortificações por toda a Europa e Oriente Médio. Em uma década, a Ordem ganhou isenções e privilégios (dentre os quais o de que seu líder teria o direito de se comunicar diretamente com o Papa); tornando-se "oficialmente" o "Exército de Deus". Isto sem falar nos benefícios que a Ordem recebeu dos soberanos europeus (cujo poder tornou-se insignificante, ante a "rede de influência global" desta organização)...


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